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A beleza das Sakuras

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Olá novamente, passageiros! Eu sou a Gueh e, ao invés de escrever para a coluna Universo Deka, falarei com vocês livremente sobre qualquer assunto relacionado ao Japão, o que fez meu cérebro entrar em curto. Vieram mil coisas na minha cabeça e sumiram logo em seguida!

No último fim de semana eu estive em Campos do Jordão e soube que lá havia o Festival das Cerejeiras,  semelhante ao Hanami do Japão. Infelizmente, o festival já tinha acabado quando cheguei, mas as cerejeiras ainda estavam lá, floridas e espalhadas pela cidade, então eu me dei conta de que já sabia sobre o que contar a vocês.


Para quem não sabe, Hanami refere-se à prática de apreciação das cerejeiras (ou sakuras, como são chamadas no Japão) durante a época de seu florescimento. As cerejeiras costumam florescer em meados de março a maio em todo o Japão. O Hanami já é praticado há muito séculos e dizem ter começado durante o período Nara. O termo Hanami foi usado pela primeira vez como um termo análogo à contemplação do florescer da cerejeira no romance Genji MonogatariAs sakuras são muito apreciadas e é um símbolo da primavera japonesa, sendo de praxe fazer atividades ao ar livre, mas a principal atividade é um piquenique sob as arvores que é feito pela a maioria das famílias japonesas.


No início, as sakuras eram usadas apenas para anunciar o inicio da estação de plantação de arroz e celebrar a colheita. O imperador Saga organizava festas, no intuito de contemplar a beleza das flores, regadas a saquê e comilanças embaixo das árvores da Corte Imperial de Kyoto. A princípio, essa tradição era apenas celebrada pela corte, depois foi adotada também pelos samurais e só após isso o restante da sociedade japonesa passou a celebrá-la, talvez pelo fato de Tokugawa Yoshimune (oitavo shogun do Bakufu Tokugawa) ter plantado várias mudas de cerejeiras para incentivar essa prática. Muitos poemas sobre as sakuras foram escritos na era Heian e eram usadas em metáforas quando comparadas à própria vida, especialmente para falar sobre o quão curta ela é.

Mesmo depois de séculos, o povo japonês continua a praticar essa tradição, se reunindo em grande número em parques, templos ou onde quer que as árvores estejam florescendo. As vezes, as celebrações vão até o anoitecer e em alguns parques são acesas lanternas de papel. Em uma boa parte do país, o florescer das cerejeiras coincide com o início do ano letivo e com o fim das férias nos escritórios, então todos aproveitam para comemorar suas festas de boas vindas junto do Hanami. Os parques costumam lotar nessa época do ano, o que faz com que muitas pessoas cheguem cedo para guardar um bom lugar (alguns lugares até trabalham com reservas!).

Campos do Jordão
Dentro da cultura japonesa, a flor de cerejeira costuma ser associada à figura do samurai, que tinha uma vida tão curta quanto a flor. Já o fruto tem o significado da sensualidade por seu vermelho intenso e maduro. Muitas pessoa usam as flores em tatuagens, buscando representar a beleza feminina, a sensualidade e a mensagem de que a vida é rápida e passageira e precisamos viver mais o presente e apreciar os bons momentos dela.

Aqui no Brasil, existem diversos locais onde as cerejeiras florescem e, por volta de julho, são organizados diversos festivais em sua homenagem. Alguns deles são o Parque do Carmo (em São Paulo capital), Campos do Jordão, Apucarana (Paraná) e Frei Rogério (Santa Catarina). Fiquem atentos no próximo ano para não perderem os festivais, vale muito a pena celebrar o florescer desta árvore. A sakura é, de fato, a flor mais bonita que eu  tive o prazer de ver.


Até a próxima, queridos!

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