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Mangás Alternativos I

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Aaall aboooaard!! (ノ ` ∀´)ノ Hahahahaha... Padozora is back! E com força total, ouso dizer. Perceberam minha ausência fortuita, caros leitores? Que nada, né. Não vou explicar-me porque é perda do tempo precioso de todos. Vocês viram esse Mr. Sato e suas loucuras gordurosas na postagem anterior? Lindos bacons, não? Sou fã daquele lanche! Hahahaha! 
Ok, sem mais delongas,  antes que a própria Condutora-Chefe resolva me aniquilar, vou revelar o assunto da coluna de hoje: os tipos de mangás alternativos, aqueles que antigamente confrontaram o mercado de histórias em quadrinhos de maneira bastante peculiar: com histórias inteligentes e incomuns. 
Só um pouco curiosos? Ora, e se eu disser que os mangás Akira e Vagabond estão envolvidos? Interessados agora? Então acompanhem essa bilheteira para mais uma aventura!! ヽ( >∀<)ノ ♪~


Mangás Alternativos

São quadrinhos japoneses publicados fora do mercado comercial de mangás, que possuem estilos, temas e até narrativas diferentes à esses, os mais populares. Originalmente vistos em "bibliotecas circulantes", chamadas kashihonyás, estabelecimentos que vendiam e alugavam livros com o objetivo de possibilitar a leitura para a população japonesa concentrada na reconstrução do país pós-Segunda Guerra Mundial.  
Os mangás alternativos desenvolviam histórias mais maduras para um público ainda jovem (18 anos), cujas adolescências foram encurtadas para que se atribuíssem responsabilidades de adultos à eles. Conta-se que muitos jovens de vinte anos já constituíam família e trabalhavam arduamente naquela época nefasta.

Um pouco mais de história

Antes dos mangás alternativos tornarem-se populares (e quase sumirem com o tempo), no século XVII havia uma literatura de linguagem acessível somente para a burguesia (chamada gesaku-bungaku, cultura da escrita) que abrange um conjunto de gêneros publicados em 1740 ao fim do século XIX. Os tipos de gênero se classificavam de acordo com sua temática:
~ Shurebon (livros sacanas): são contos eróticos baseados na vida de cortesãs de Edo e Osaka, aproximadamente originários de 1755. E devido à característica lasciva foi proibido pelo Shogunato em 1790.
~ Ninjobon (livros sentimentais): são os substitutos dos shurebons por contarem histórias cotidianas e os valores de burgueses (não confunda com os nobres, aqui se trata dos chonins: as pessoas comuns).
~ Kakiban (livros engraçados): criados desde 1733, são os livros de comédia e sátira.
~ Yoniho (livros de leitura): normalmente eram contos baseados na mitologia chinesa e romances de ficção de cunho moral, como histórias de samurais idealistas e altruístas. Alguns até contiveram fatos reais, como 47 Ronins.
Mais tarde, durante o século XIX, esses gêneros literários ganharam versões impressas mais baratas, conhecidas por kusazoshi (publicações malcheirosas) devido ao odor  da tinta de baixa qualidade usada na impressão. Tais livros proporcionaram a popularização da literatura no Japão.
Existia também o Kibyoshi (livros amarelos, pela cor do papel utilizado na impressão): tinham histórias voltadas para crianças ou eram versões ilustradas das obras do gênero gesaku-bungaku para adultos. Esses livros são considerados os precursores dos Gekigás.

Com o aumento da popularidade desses livretos ocorreu em seguida uma série de manifestações artísticas: Gekigá (1950 - 1980), Garo (1960 - 1990), La Nouvelle Manga (final dos anos 90 - presente) e Superflat.

Como esse assunto é bem extenso vou dividí-lo em mais uma ou duas postagens. Porém, contarei o primeiro movimento mencionado acima.

O Gekigá (剧画)  faz parte da área de mangás alternativos, sendo também um dos trabalhos da primeira geração japonesa de cartunistas. Seu significado (imagens dramáticas) vem da junção das palavras "geki" (剧, drama) e "ga" (画, pintura). O termo foi criado por Yoshihiro Tatsumi em 1957 no centro da cidade de Osaka e adotado por outros desenhistas e escritores da época, que criavam histórias para o público mais maduro.
Caracterizado principalmente pelo modo clássico de desenho: traços pesados e realísticos, histórias com enredos complexos e muitas vezes próximos à realidade sociocultural japonesa, que exigem narrativas intensas e reflexivas. Envolve temas trágicos, misteriosos e psicológicos, tanto baseados em fatos reais quanto fictícios, como busca da lei, vingança, mortes, guerras, drogas, violência, sexo, corrupção e máfia; assuntos que mostram a condição miserável da Humanidade em relação aos próprios problemas pessoais e do mundo.


Os gekigás são conhecidos no ocidente como "Graphic Novel" pelo conteúdo elaboradamente violento, em que os leitores necessitam de maiores maturidade e conhecimento para compreender a narrativa. Os personagens apresentam-se individualistas em busca de objetivo próprio, o que remete à real motivação interna do ser humano de (re)construir a sua realidade.
Muitos mangakás foram influenciados por esse modo artístico, como o Osamu Tezuka em sua obra Hi no Tori ( Phoenix, década de 1970) e especialmente em Adolf, produzido no início dos anos 1980. Houve também o inverso: Tatsumi aderiu as técnicas de contar histórias de Tezuka para melhorar seus trabalhos.

Existem bons exemplos de gekigás publicados:

~ Akira, de Katsuhiro Otomo;
~ A Lenda de Kamui, de Sanpei Shirato;
~ Ashita No Joe, De Tetsuya Chiba;
~ Blade, a lâmina do imortal, de Hiroaki Samura;
~ Crying Freeman, Kazuo Koike e Ryoichi Ikegami;
~ Crying Freeman, Kazuo Koike e Ryoichi Ikegami;
~ Heat, de Yoshiyuki Okamura e Ryoichi Ikegami;
~ Hokuto no Ken, de Buronson e Tetsuo Hara;
~ Kozure Okami (Lobo Solitário), de Kazuo Koike e Goseki Kojima;
~ Mai - Garota Sensitiva, de Kazuya Kudou e Ryoichi Ikegami;
~ Monster, de Naoki Urasawa;
~ Sanctuary, de Sho Fumimura e Ryoichi Ikegami;
~ Vagabond, de Takehiko Inoue;




Pseudo-Bibliografia

- As Mulheres de Tatsumi, Lady' Comics.
- Gekiga, Wikipedia, the free encyclopedia. (Em inglês)
- Gekiga Review, de Cristiane A. Sato, Abrademi.
- Gekigá, Anime Portfolio.
- Os estilos do mangá-Gekiga, Mangá Kaori.
- Gekigá Mangá - Mulheres, Zarabatana Books.
- Tipos de animes e mangás, Kawaii.
- Mangás - Gekigá, de Maximos, Fórum Anime Pró.
- Shoujo Life - O que é Gekigá?, Rádio J-Hero.


E então, passageiros queridos, é uma arte bonita, não? Conte-me o que acharam e quais desses mangás já leram! (≧∇≦) Até a próxima!

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