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Kyoto, Yasunari Kawabata

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Kyōto retrata e constrói, de maneira lenta, gradual e ricamente descrita, a vida de Chieko, filha de pais adotivos donos de uma loja atacadista de quimonos. Apesar de receber amor dos pais e ter sido criada com uma condição financeira estável, Chieko sempre se perguntou quem eram seus verdadeiros pais. Até que, durante o festival de Gion, ela encontra-se com Naeko, uma garota exatamente igual a ela. Sua irmã gêmea, gêmeas idênticas. Depois disso, Chieko passa a conhecer um pouco mais o seu passado na tradicional Kyōto e ele passa a influenciá-la diretamente.

Boa tarde, leitores queridos! ▽・w・▽こんばんわんこ Espero que tenham curtido a última postagem, um conto retirado do livro Contos da Palma da Mão, do Kawabata, que se passa dentro de um trem. Minha intenção era mostrar, na prática, como é a literatura dele, o quão singela e leve ela é, embora quase sempre retrate temas fortes. A solidão, o deterioramento humano e a morte são alguns dos temas mais presentes nas obras de Kawabata e são intimamente descritos, de uma maneira tão verossímil, que casam muito bem com o estilo de escrita do autor. Sendo assim, o tema da nossa postagem de hoje continua sendo Kawabata. Na verdade, trata-se de uma republicação de uma antiga postagem aqui do Expresso e que encaixa-se perfeitamente no Dango Café. Quem aí já leu Kyoto?

Yasunari Kawabata é conhecido mundialmente e representa muito bem a literatura japonesa com suas obras surrealistas que nos mostram o que há de melhor no Japão. Ele estampa em seus livros um estilo limpo, que flui perfeitamente na mente do leitor e prende do começo ao fim. E, pra completar, tem um final inesperado! Essa é uma característica muito controversa do autor, ele sempre dá à história um final que ninguém espera. Não em relação ao rumo da narrativa, mas o momento em que ele escolhe para interromper (no caso, encerrar) a história. Você fica com a impressão (pelo menos eu sempre fico) de que ainda havia mais, de que ainda tinha história pra contar, como se ele tivesse rasgado a folha de papel com o final da história e a perdido. Há quem goste de ficar imaginando o que aconteceu e outros que acreditam que o autor deveria ser um pouco mais decisivo e não deixar a coisa pairando no ar. Finais abertos tem seus  pontos positivos e negativos e o gosto por um ou outro é bem dividido. O que vocês acham? Preferem um final aberto ou bem definido?

A obra em questão, Kyōto (京都 no original), retrata Chieko como a primeira protagonista. Ela tem uma vida estável, é filha dos donos de uma loja atacadista de quimonos. Sua mãe lhe contou ainda quando criança que ela tinha sido adotada, que não era filha biológica do casal Sada. Chieko sempre conviveu muito bem com essa realidade, pois nunca lhe faltou nada, nem conforto nem amor, mas vez por outra ela se deixava levar pela imaginação, e se perguntava como seriam seus verdadeiros pais, se estavam vivos, se ainda moravam no Japão. Apesar disso, nunca procurou nenhuma informação. Ela tem amigos com quem se relaciona regularmente, sendo Shin'ichi o mais próximo deles, e é uma típica moradora de Kyōto que aprecia as festividades locais. Tudo muda quando, durante o festival de Gion, ela encontra Naeko, sua irmã gêmea. A semelhança entre as duas seria total se não fosse um detalhe: Naeko nasceu numa aldeia nas montanhas e trabalha duramente cortando os ramos dos cedros de Kitayama. A diferença do tipo de vida das duas é evidente, mas Chieko se vê em estado de choque ao saber da existência de uma irmã. E gêmea! Naeko já sabia da existência de Chieko, então encontrá-la, mesmo sendo uma alegria, não chegou a ser uma surpresa tão inesperada. A vida de Chieko vai se modificando em função da de Naeko e as duas vão desenvolvendo um vínculo único. E fraternal.

As minhas primeiras impressões do livro foram muito boas. Todo mundo sabe que Kyōto é uma das cidades mais históricas do Japão por ter sido a capital do Império e ainda conservar boa parte dessa cultura antiga. Foi isso que me chamou atenção para o livro, na verdade. Pra mim, e para todas as pessoas que gostam de obras que retratem o Japão tradicional, a época antiga, dos samurais, dos quimonos, das festividades, do folclore, Kyoto é um prato cheio. Desde o início se percebe o quanto a época e a tradicionalidade do país influenciam na história, nos interesses dos personagens e no próprio desenvolvimento da trama. Podemos ver claramente que apesar de algumas famílias não serem tão conservadoras a ponto de obrigarem os filhos a casar, muitas delas ainda enxergam um casamento como uma forma de expandir os negócios e conseguir estabilidade: é um pensamento que passa pela cabeça do pai de Chieko uma ou duas vezes. Takichiro Sada, o pai, é quem produz os quimonos. Ele gosta de desenhar, mas não acha que seus trabalhos sejam bons, criativos, inovadores, mas Chieko sempre faz questão de usar suas peças, mesmo quando ele diz que são sérias demais para uma mocinha como ela. A relação entre a família Sada é muito próxima, afetuosa. Mesmo assim, Naeko se recusa a ir morar com Chieko. Vergonha? Talvez... O fato é que nunca saberemos, já que o final é muito pouco claro. Não é aquele final aberto tradicional que não diz exatamente o que acontece, mas te deixa uma ideia. E a partir dela você se pega imaginando e criando possibilidades para os personagens, para suas atitudes, para suas personalidades. É um recurso muito interessante.

Bom, espero que tenham curtido. Super recomendo a leitura de Kyoto tanto para os que gostam da cultura tradicional como pra quem quer aprender mais do assunto. Não dá pra ler esse livro e não aprender nada, nem que sejam algumas expressões e palavras em japonês. Se puderem, leiam! Vale a pena!

Kissu o(^◇^)/~ ばいちゃ~♪

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