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Um grito de amor do centro do mundo, Kyoichi Katayama

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Sakurato é ainda um garoto quando conhece Aki na escola em que estuda, numa cidadezinha japonesa. Ela é bela, inteligente e popular, e logo se tornam amigos inseparáveis. Mas, conforme Sakuratô amadurece, ele começa a ver em Aki mais do que apenas uma amiga. Em pouco tempo, sua relação se transforma numa paixão arrebatadora. Os adolescentes trocam juras de amor; prometem numa mais se separar. Mas uma tragédia fará com que o destino de ambos seja irremediavelmente alterado.

Boa noite, queridos leitores! ▽・w・▽こんばんわんこ Estamos aqui nesse final de quinta-feira com mais uma edição do Dango Café. Na postagem passada apresentei-lhes um livro incrível do Haruki Murakami, um dos escritores de maior renome do Japão, com uma obra atual e bastante realista. Diferente dele, Kyoichi Katayama nos proporciona uma história de amor arrebatadora recheada de idealismo e pureza. Publicado no Brasil pela editora Alfaguara, Um grito de amor do centro do mundo (世界の中心で、愛をさけぶ do original japonês) é o segundo livro de Katayama e foi traduzido no Brasil por Lica Hashimoto. Essa obra carrega fortes características de um estilo de entretenimento japonês conhecido como "Morte-e-choro", que tem como objetivo aflorar e descarregar as emoções de quem está lendo (ou assistindo, se for o caso). É fácil perceber também que Um grito de amor do centro do mundo faz parte de uma tendência no Japão que começou desde os anos 2000, o chamado Jun'ai (Pure Love). Esse tipo de obra retrata um amor forte, incondicional, puro, daqueles que continuam mesmo quando um dos dois morre. Esse estilo faz grande sucesso no Japão e muitos autores conhecidos estão dentro dele. No verso no livro somos informados de que é um dos títulos mais lidos no Japão e que teve adaptações para o cinema, para a TV e ganhou um título de mangá.


Sakurato "Saku" Matsumoto é quem narra a história. Logo nas primeiras linhas ele nos mostra que a o livro vai girar em torno da vida de Aki, o amor da sua vida, e de como discorrem seus dias após a morte dela. Em certas passagens, a narrativa pode importunar um pouco quem lê devido aos longos discursos de Sakurato em relação ao seu próprio sofrimento, mas o autor conseguiu balancear perfeitamente esses momentos nos apresentando, em paralelo, um passado alegre e vivaz, narrado com bastante fluidez. Como já mencionei lá em cima, por fazer parte do gênero Pure Love, a sexualidade no livro é tratada de forma muito peculiar, é apenas como uma curiosidade adolescente que só serve para acentuar a ideia de pureza que a relação de Aki e Sakurato já nos dá desde o início do livro.

Aki era inteligente, bonita e bem vista por todos na escola. O primeiro contato significativo dos dois se deve ao fato de terem sido eleitos representantes de classe, lhes dando oportunidades de se verem com certa frequência e nos permitindo acompanhar o início da história, que começou tímida e lenta. Saku teve certeza de que a amava durante o funeral da professora de Aki, em que a garota fez um discurso animador. Depois disso o passado e o presente passam a se alternar, provando que o livro não segue um percurso linear, por isso não é precisar o momento em que eles passam a ter um compromisso de namoro. Saku e Aki trocam juras de amor e prometem nunca se separar. Tudo corria bem até que Aki adoeceu e precisou ficar no hospital em observação, perdendo uma viagem escolar para a Austrália na qual queria muito ter ido. A princípio todos acham que se trata de uma gripe, mas logo a triste comprovação vem à tona: Leucemia. A partir desse ponto, Sakurato vive um profundo drama que converge para os futuros sentimentos de mágoa e tristeza que ele passa a nutrir no presente. A morte de Aki o afeta profundamente. É aí que entra outra figura importante na história: o avô de Sakurato. Apesar de tecnicamente ele aparecer no início do livro, a sua principal participação foi justamente depois da morte de Aki em que age como a voz da sabedoria e proporciona à Saku momentos de reflexão e a possibilidade de enxergar aquela situação por outro ângulo. Nesse ponto, entra outra grande questão do livro: A relação Amor e Morte.

Apesar de ser um livro essencialmente de drama, a narrativa não chega a nos doer. Quer dizer, não há emoções violentas acometendo os personagens, pois essas emoções, por mais dramáticas que sejam, são tão naturais que parecem pertencer exatamente aos cenários nos quais ocorrem. Nós também podemos observar que há vários fatores que caracterizam a obra como parte da cultura japonesa, tais como citações de rituais xintoístas, práticas de artes marciais japonesas e um detalhe muito importante que, para muitos, pode ter passado despercebido: A maneira como Aki escreve o próprio nome. Existindo mais de um alfabeto de símbolos no Japão, o kanji para Aki é 亜紀, mas Sakurato pensava se tratar de, já que os dois tem a mesma pronuncia. A diferença é que o segundo vem da palavra "Outono", daí Saku achar engraçado Aki vir de outono sendo a garota nascida no inverno (ele chega até a brincar que ela deveria chamar-se Fuyumi ou Fuyuko).

O tema clichê é claro logo na sinopse, mas a maneira como o autor narra é completamente diferente daquelas que já conhecemos e estamos tão habituados. Tudo se dá num processo tão lento e natural que nem percebemos exatamente em que ponto uma coisa se tornou outra. O livro nos absorve, nos faz entrar na história (por isso a perda da noção da perspectiva externa) e nos emociona. É uma super leitura que recomendo a todo mundo que curte um bom livro, diferente e original.

"Por mais que as pessoas digam coisas bonitas da boca pra fora, a maioria só vive pensando em si mesma, não é? - continuei a argumentar. - Para elas, o que importa é poderem comer coisas gostosas; poderem comprar o que quiserem; mas, quando uma pessoa passa a gostar de outra, essa outra se torna mais importante do que ela. Se tivéssemos pouca comida, eu daria a minha parte para você, Aki. Se tivéssemos pouco dinheiro, eu deixaria de comprar o que queria para poder comprar o que você queria. Se você dissesse que a comida estava gostosa, eu me sentiria igualmente satisfeito e, se você fosse feliz, eu também seria igualmente feliz. Isso é gostar de alguém. Você acha que existe alguma coisa mais importante do que isso? Eu acho que não. Uma pessoa que descobriu a capacidade de gostar de alguém com certeza descobriu algo muito mais importante do que as descobertas premiadas com o Nobel."

Sakurato "Saku" Matsumoto

É isso! Espero que tenham curtido a postagem e, se tiverem condições e tempo disponível, leiam esse livro. Ele com certeza vai arrancar lágrimas de vocês tanto quanto arrancaram de mim. E não se esqueçam de deixar a opinião de vocês aqui nos comentários, podem ter certeza que eu sempre leio. o(●´ω`●)oわくわく♪ Novamente ressalto que vocês são livres para dar sugestões de postagens (de qualquer coluna) através dos comentários, do nosso e-mail, pelo Twitter ou pelo Facebook. Receberemo-nas com muito carinho!

(*゚▽゚)ノ~♪see you again♪~

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