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A História dos Mangás


Aaall aboooaard!! (ノ ` ∀´)ノ Hahahahaha. Opa, aqui não é o Crazy Train.
Eu sou Padozora, sua nova redatora do Expresso Japão. E como prefiro não me prolongar em apresentações, digo apenas que é uma honra estar viajando com vocês. E devo ressaltar que meu intuito inicial nesse trem é transmitir conhecimento sobre o universo dos mangás e animes (Oh, como eu falo bonito. rs), como reviews e curiosidades. Mas com o tempo me inspiro a falar de notícias nonsenses e lendas lindas, que nos contam histórias da cultura tradicional do Japão.

Primeiramente, peço perdão à Condutora-chefe, Nana-chan, pela demora em postar (Não quero ser jogada nos trilhos). Porém, começar a falar de mangás e animes no geral me cobrou muitos dias de pesquisa e atender a demanda de leitores deixou-me realmente nervosa. Além de que é preciso dividir as postagens em partes para melhor visualização e compreendimento do assunto, pois essa estação compreende assuntos abrangentes demais.

Hoje começo a falar sobre os mangás, explicando sua extensa história com detalhes do que arremete o Japão paralelamente à literatura, arte e cultura.

Sentiu interesse? Por favor, acomode-se e acompanhe-me para a diversão. (~ ^▽^)~


Antes de tudo, o que são mangás? Aparentemente todo otaku sabe o que são esses desenhos em preto e branco num papel. Mas vamos nos aprofundar nos conceitos básicos.

Mangás são histórias em quadrinhos japonesas, que devem ser lidos da direita para a esquerda. A palavra surgiu da junção de outros dois vocábulos: man, que significa involuntário, e , imagem. Em um mangá, o texto em geral, principalmente as onomatopéias, fazem parte da arte. Além dos traços marcantes como os olhos expressivos.

Mas eles sempre foram assim? Não, como toda obra de arte necessita de tempo de dedicação e vontade, os mangás evoluíram ao longo dos períodos da história japonesa.

Princípio e desenvolvimento

Eles tiveram sua origem da China no Período Nara-jidai (710 d.C. – 794/787¹ d.C.), onde se desenvolveu a literatura e a arte, limitada a capital Nara e dominadas somente pela nobreza.
Nessa época surgem os emakimono, os primeiros rolos de pinturas japonesas desenvolvidos horizontalmente num longo papel, em que as imagens são excelentemente decoradas em sequência e há ilustrações de textos separadamente.
Vale destacar que nesse mesmo tempo surgiram os silábicos japoneses Katakana e Hiragana. E a primeira criação de emakimono foi o Ingá Jyo (Por extenso: Kakogenzai Inga-Kyo Emaki), a reprodução de uma obra chinesa, que conta a biografia de Buda, desde vidas passadas e terrenas à quando atingiu o Nirvana.

Em seguida urge o Período Heian (794 d.C - 1185/1192 d.C.), com a formação solidificada dos samurais, guerreiros e servidores leais da força militar, e o idioma autenticamente japonês se consolida pela família Fujiwara, que se despontou a partir da Reforma Taika.

Aqui existiram uma série de ilustrações humorísticas e caricaturas em emakimonos. Um dos mais antigos trabalhos foi o conto Genjo Monogatari Emaki, e o mais famoso o Chojugiga do monge budista Kakuyu (1053-1140), título honorífico de Toba Sojo. Esse último, com seu tamanho por volta de 10 metros de comprimento, ilustra cenas cômicas de sacerdotes como criaturas animalescas em um estilo unicamente de traços leves e dinâmicos com textos esclarecedores após vários cenários. A relíquia está preservada no Museu Internacional do Mangá, na cidade de Kyoto.

Passando pelos períodos Kamakura, Muromachi, Azuchi-Momoyama, a palavra mangá só foi usada pela primeira vez no Período Edo-jidai (1603 d.C. - 1868 d.C.; Século XIX), em que há a restauração do governo imperial pela derrota do Bufuku (Xogunato), a reabertura do país ao estrangeiro e a construção do Japão moderno.
Ocorre, também, a transformação básica dos emakimonos para os livros, dando início às estampas destinadas a ilustrar romances e poesias de cunho popular. Mais tarde nasce a estampa japonesa independente com única gravura: o ukiyo-e, um estilo de pintura semelhante à xilografia. Trata-se de pinturas executadas com o auxílio de blocos de madeira para, posteriormente, impressão em cor. O tema principal é a vida urbana, dando espaço às paisagens depois do sucesso contínuo dessa arte.
A palavra mangá nessa época denomina desenho divertido, pois seu primeiro utilizador, Katsushika Hokusai (1760 – 1849) criava caricaturas e charges humorísticas entre 1814 a 1834 em Nagoya, além dos Hokusai Mangá, uma série de estudos figurativos.
Um de seus notórios trabalhos mais conhecidos e admirados é a xilografia ukiyo-e Vagalhão de Kanagawa, ou a A Grande Onda de Kanagawa (em japonês 神奈川沖浪裏, Kanagawa oki nami ura) da série 36 Vistas de Monte Fuji (Fugaku sanjurokkei 富嶽三十六景).


Somente em mares, digo, tempos modernos os mangás obtêm o formato diferenciado que é feito até hoje. Essa forma surge no início do século XX sob forte influência americana e os primeiros mangás com essas características são a série antimilitarista de Tagawa Suiho, Norakuro Joutouhei (Primeiro Soldado Norakura), e Boken Dankichi (As Aventuras de Dankichi) de Shimada Keizo.
Pelo menos até a Segunda Guerra Mundial, quando uma intensa censura é forçada a impressa e a todas as atividades artístico-culturais. Em contrapartida a essa calamidade, o governo japonês apenas não repreendeu os quadrinhos de caráter comercial, como propagandas.
Historicamente, nesse tempo o poder político passa a ser comandado pelo imperador Meiji, iniciando assim o Período Meiji (1868 d.C. – 1926 d.C.). Ele implementou reformas sociais, econômicas, militares e educacionais significativas durante seu governo para modernizar o país e acompanhar o desenvolvimento capitalista, promovido pelas Reformas Francesa e Inglesa. Porém os samurais sentiram a queda drástica da sua classe e dos privilégios provenientes, infelizmente.

Vamos pular a parte que fala sobre o Japão, a sua Flor de Hiroshima e a Segunda Guerra Mundial para diretamente os seus efeitos recorrentes no país. Com a ocupação dos EUA no território japonês, os artistas sucedem-se a traduzir em grande escala quadrinhos ocidentais e a produzir na impressa diariamente e então determinam o começo da nova era dos mangás.
O mangaká (desenhista) Osamu Tezuka, muito entusiasmado com a Walt Disney, revoluciona a forma de expressão e dá vida ao mangá moderno. Onde o termo mangá atualmente é usado para designar as histórias em quadrinhos feitas no estilo japonês, mesmo que no Japão designe qualquer história em quadrinho.

Observações e Pseudo-Bibliografia

1- Em alguns lugares há diferença de término dos períodos históricos japoneses, portanto adoto os dois como referência para nós.

- E-book Cultura Pop Japonesa - Histórias e Curiosidades, de Alexandre Nagado, Michel Matsuda e Rodrigo de Goes. Publicado em março de 2011. Está disponível para download no site Sushi POP, de Alexandre Nagado.
- História, O Samurai.
- History of Japanese Manga Comics, Japanese Gallary.(Em inglês)
- Mangá, Nihongo Brasil.
- História do Japão, Cultura Japonesa.

Ora vejam! (  ゚д゚)  O próximo trem já está aqui!
Muito obrigada por embarcarem no Expresso Japão comigo e tenha um excelente dia.
Lembre-se de comentar e dar sugestões para que sua estadia na estação seja o mais confortável possível. Até a próxima viagem! \(^ω^)/