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Visita à exposição de Tomie Ohtake

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No post passado, falei pra vocês sobre a exposição da Tomie Ohtake que está acontecendo aqui em Fortaleza, na galeria Multiarte. O primeiro dia foi reservado à imprensa e alguns convidados, já que o espaço na galeria não permite grandes multidões, e, apesar de Tomie não ter podido estar presente, seu filho e administrador do Instituito Tomie Ohtake, Ricardo Ohtake, esteve na galeria conversando e apresentando as obras. Eu não podia perder a oportunidade de visitar essa exposição, por isso arrastei minha mãe e irmã até lá.
A galeria é pequena, porém extremamente sofisticada e aconchegante. Ainda no lado de fora, pudemos perceber o nome da Tomie em um vermelho bem evidenciado e, quando entramos, fomos muito bem recebidas pela Segiane Cabrall. O lugar tinha um toque de simplicidade, mas ao mesmo tempo extremamente refinado. Talvez pela harmonia, o silêncio (embora eu não tenha certeza se é silencioso todo o tempo) e a maneira como os funcionários recebem aqueles que vão prestigiar as exposições. De todo modo, ficamos encantadas.





Passando para a apreciação das obras de Tomie, pudemos perceber, de longe, que ela gosta de usar cores bem brilhantes, chamativas, e principalmente contrastantes, combinando-as com formas pouco geométricas, mas bem definidas. Passeando pelas gravuras, gostei muito da combinação de verde com marrom, vermelho e preto. Algumas eram bem delimitadas, você sabia onde começava uma cor e terminava outra, mas em outras obras, ela fazia uma mesclagem incrível, causando ao expectador (pelo menos à mim) uma sensação de profundidade e entrelaço. Ela não se prendia ao senso comum, de deixar o elemento principal no centro da tela, mas utilizava as bordas, as diagonais, os cantos, enfim, inovava em cada gravura. Isso só evidencia que Tomie tenta se desprender do imaterial para focar-se no elemento forma-cor.



À respeito das pinturas, também fiquei fascinada. A que mais me chamou atenção foi uma que até a própria galeria fez questão de destacar numa parde à parte, escura, pois é um dos trabalhos mais célebres da artista. Trata-se de um quadro que ela pintou durante um momento de experimentação. Esse momento chamou-se de Pintura às Cegas, e consistiu em Tomie vendar-se e utilizar apenas os outros sentidos na hora de pintar. Ao olhar a tela, você dificilmente consegue imaginar que foi feito sem a visão, pois cada detalhe é preciso e harmonioso. Até as manchas de óleo, que fiquei sabendo através da Segiane Cabrall que surgiram devido ao uso excessivo de óleo na pasta da pintura, parecem estar completamente alinhadas, longe de se tratar apenas de um caráter intuitivo. As outras pinturas também são incríveis!


Eu, intrometida, com o quadro

Pintura às cegas
Pra finalizar, as esculturas. Observando sem qualquer atenção todas parecem iguais, mas a Segiane, que esteve nos explicando várias coisas durante a visita, nos disse que além da escultura em si, do material, Tomie projetou até as sombras! Até as sombras são esculturais, e foram pensadas. Nunca ouvi falar de uma artista que esculpiu as sombras de suas obras, por isso fiquei tão admirada quando soube. As formas eram protuberantes, como se saíssem da parede, e outras formavam um círculo desajeitado, mas extremamente artístico. Muito lindo!



Conversamos muito à respeito da artista. Soubemos vários detalhes que não tínhamos conhecimento, e minha mãe e irmã ficaram admiradas, mesmo que tivessem chegado meio céticas à respeito do conteúdo da exposição. Como comentei com a Segiane, o fato de ser uma exposição de artes plásticas assusta um pouco as pessoas. A arte contemporânea é por vezes difícil de ser entendida, por ser tão abstrata e complexa. Isso causa um certo medo nas pessoas de não entender o sentimento do artista, de não ver o tal cachorro em cima de uma árvore que tem na descrição do quadro, por exemplo, mesmo virando ele de cabeça pra baixo. Juntando isso ao fato de a artista ser japonesa, causa um estranhamento ainda maior. Pode ser que as pessoas imaginem que vai haver um monte de símbolos que não entendem, ou elementos japoneses estranhos, mas é apenas uma exposição. Gostaria de convidar as pessoas à visitar a galeria e ver os trabalhos da Tomie. Não precisa entender de arte, os elementos e aquele bando de nomes e conceitos que se ensinam na faculdade dessa área, pra apreciar uma boa pintura, uma boa escultura. Entenda-a à seu modo, como eu fiz, porque mesmo aqueles que estudam arte, estudam a mesma coisa, não têm visões iguais sobre uma mesma peça. É pra isso que a arte serve, pra despertar em cada pessoa um desejo, um sentimento, seja ele qual for. É tocar a alma.

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